Quem sou eu

Minha foto
Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sócio e divulgador do Clube de Cinema de Porto Alegre, frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já mais de 100 certificados) e ministrante do curso Christopher Nolan - A Representação da Realidade. Já fui colaborador de sites como A Hora do Cinema, Cinema Sem Frescura, Cinema e Movimento, Cinesofia e Teoria Geek. Sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para marcelojs1@outlook.com ou beniciodeltoroster@gmail.com

Pesquisar este blog

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Cine Dica: Em Cartaz: Glory



Sinopse: Um trabalhador ferroviário encontra milhões em notas de dinheiro nos trilhos. Como recompensa, a assessora do Ministério de Transportes lhe dá um relógio. Tudo isso é para servir de distração para cobrir um caso de corrupção, transformando a vida do trabalhador num caos.


Embora uma parte do povo brasileiro finja não querer enxergar os verdadeiros fatos, é mais do que notório que os eventos do ano passado desencadearam um verdadeiro golpe e culminando nesse governo ilegítimo. Logicamente o que assistimos de lá para cá foi uma espécie de teatro, moldurado pela direita, aliado com uma mídia sensacionalista, cujo objetivo era enganar o público com falsas promessas e criando então uma cortina de fumaça para esconder a verdadeira corrupção. Mesmo não sendo um filme brasileiro, o longa búlgaro Glory é uma obra da qual soa familiar a todo o momento e por isso mesmo um filme com uma linguagem universal para ser visto e revisto por todos.
Dirigido pelos diretores e roteiristas Kristina Grozeva e Petar Valchanov (A Lição), o filme acompanha a cruzada de Tsanko Petrov (Stefan Denolyubov) trabalhador humilde de uma ferroviária, que em certo dia acha um monte de dinheiro durante a sua caminhada nos trilhos e o governo local decide então premia-lo pela sua honestidade. É então que surge em cena Julia Staikova (Margita Gosheva), chefe do departamento de relações públicas que está cuidando da cerimônia de premiação, tirando então relógio de Petrov e lhe dando um bem vagabundo como prêmio. Após o evento, ele trata de procurar pela moça, que já tinha deixado o local. Apegado ao objeto (herança do seu pai), além de estar descontente com o fato do novo relógio não funcionar direito, Petrov passa então a procurar por Julia, que já não tem ideia de onde o objeto se encontra.
A partir do momento em que o protagonista é acolhido pelo poder local para ser venerado diante da imprensa, se cria então um verdadeiro teatro hipócrita, onde a imagem e palavras falsas valem muito mais do que qualquer coisa. Os realizadores do filme, por exemplo, fazem questão de criar situações que beiram ao pastelão, mas que, por mais absurdo que seja, soa realístico pela sua profundidade e com os seus inúmeros significados. Quem vê a situação, imediatamente irá se lembrar de certos políticos, que fazem questão de ficarem bem apresentados diante das câmeras, mas não escondendo o seu desdém para se criar todo esse teatro.
Diante disso, temos dois lados da mesma moeda, sendo então Petrov e Julia Staikova. Se o primeiro é uma representação de uma humildade e inocência perante o mundo cruel em que vive, Staikova seria uma representação do poder político, que faz de todas as formas para se manter firme no controle dentro do seu trabalho, mas não escondendo o fato que até ela mesma reconhece no fundo que é tudo um jogo das aparências. Se por um momento chegamos a querer tachá-la como antagonista, os realizadores fazem questão de mostrar que o problema se encontra bem mais em baixo e revelando então uma pessoa que não consegue mais administrar a sua vida profissional e pessoal ao mesmo tempo.
Mas se presenciamos a desconstrução de Staikova, a de Petrov acaba sendo, infelizmente, muito mais dolorida. Ao não conseguir obter o seu humilde relógio, o protagonista acaba caindo numa teia de eventos, onde a corrupção e a burocracia (algo semelhante visto em Eu, Daniel Blake) acabam se revelando os seus piores inimigos e lhe obrigando a ir num caminho sem volta. Os momentos finais nos deixam impotentes, perante uma situação que beira ao absurdo, mas que reconhecemos ser duramente real ao mesmo tempo. 
Glory é um filme sobre atos e consequências, cujo lado bom do ser humano, infelizmente, acaba sendo sufocado pela cobiça e da obsessão pelas aparências.  

Onde assistir: Casa de Cultura Mario Quintana. Rua das Andradas 736, centro de Porto Alegre. Horário: 15h30min 

Me sigam no Facebook, twitter, Google+ e instagram

Nenhum comentário: