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Sapucaia do Sul/Porto Alegre, RS, Brazil
Sendo frequentador dos cursos do Cine Um (tendo já 69 certificados),sou uma pessoa fanática pelo cinema, HQ, Livros, música clássica, contemporânea, mas acima de tudo pela 7ª arte. Me acompanhem no meu: Twitter: @cinemaanosluz Facebook: Marcelo Castro Moraes ou me escrevam para beniciodeltoroster@gmail.com

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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Cine Dica: Em Cartaz: O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki



Sinopse:Em 1962, o boxeador finlandês Olli Mäki vê sua vida pacata se transformar. Ele tem a chance de lutar contra o campeão Davey Moore na final do Campeonato Mundial de Boxe na categoria Peso-Pena. Nessa fase ele ainda descobre estar apaixonado.
Independente de qual esporte, parece que existe uma tendência feroz na venda de um determinado esportista, ao ponto dele se tornar uma espécie de objeto de venda e gerar determinado lucro. O esporte acaba então se tornando um circo, ao ponto que não se encontra resquício para o caminho da felicidade. Em O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki, testemunhamos a cruzada de um boxeador em meio a luzes, propaganda e reconhecimento, mas a sua felicidade se encontra mesmo num mundo onde os engravatados do dinheiro já desconhecem há muito tempo.
O filme finlandês foi destaque na ultima Mostra de SP e sintetiza muito bem isso. Marcado muito mais por uma visão romântica da vida comum, do que da idealização da glória esportiva. O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki narra o período em que um boxeador finlandês se prepara para sua primeira grande luta, podendo ganhar o título mundial. No entanto, é nesse mesmo momento que Olli Mäki começa a se apaixonar por Raija, e sua cabeça fica divida entre o amor e a luta.
Dessa forma, o filme mostra justamente as diferenças entre esses dois aspectos da vida de Olli Mäk. Como algo que seria o grande momento de sua carreira acaba ficando de lado perante a descoberta que ele faz sobre o amor. Contudo, o filme não foca exclusivamente nisso e tão pouco se torna algo meramente romântico. 
O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki segue uma linha de uma trama mais realística, mas ao mesmo tempo humorada, sem deixar de ser reflexivo e moldado por boas doses de momentos de sensibilidade e humanidade por parte dos personagens. Uma vez sendo apresentada a trama, assim como os seus personagens principais, acompanhamos o treino de Olli e como aquela rotina transforma-se em algo monótono enquanto ele só consegue pensar em Raija. Mas, se por um lado o protagonista acha tudo isso monótono, isso faz com que nos identifiquemos com o personagem, pois nos damos conta, assim como ele, que não será pela riqueza e glória que irá obter a felicidade. 
Olli não precisa também abrir mão de Raija ou do esporte, há apenas uma separação entre esses dois mundos. O desdém que o protagonista tem pelo boxe ocorre quando Olli se desencontra com a Raija, como se os dois estivessem ligados um pelo outro. Isso faz com que ocorre um forte elo entre o personagem e o cinéfilo que assiste e fazendo com que obtenha nossa total atenção do começo ao fim.
Sem muitos recursos, ou até mesmo com desdobramentos da trama, o filme se diferencia com relação aos outros que exploraram o mesmo tema. Filmado totalmente em 16 milímetros, aliado a uma câmera que mais parece estar sempre correndo atrás dos personagens, o filme poderia ter sido facilmente feito na década 70 dentro do cinema americano, sendo que hoje é conhecido como o período da Nova Hollywood, ou até mesmo no período Nouvelle Vague do cinema francês, do qual se aproxima de obras como aquelas comandadas por  François Truffault e Jean-Luc Godard.
Porém, essa simplicidade não significa que o filme seja desprovido da apresentação de determinadas cenas curiosas e que diferem de um filme convencional. É curioso como o filme possui planos sequências não utilizando a longa duração dos planos para evidenciar todo artifício do filme através de movimentos mirabolantes, muito menos utilizando este fato a fim de fazer um estudo do contemplativo como se faz em muitos longas atualmente. Esse estilo conhecido como encenação do invisível, não chama atenção para si e apenas realiza movimentos e enquadramentos em função do universo da trama retratada, é o mundo de Olli que constrói o trabalho da câmera e não o contrário.
O dia mais feliz na vida de Olli Mäki retrata como uma pessoa simples, apesar das mudanças que a vida lhe proporciona, consegue manter-se fiel aos seus preceitos. Constrói o amor de maneira muito singular, pura, sutil e ingênua. Olli tem prazer em jogar pedrinhas no lago para ver quantos quiques ela vai dar até afundar. Joga dados porque isso diverte Raija e a faz sorri. Mostra que o dia mais feliz na vida de alguém é aquele em que a pessoa consegue uma paz emocional consigo mesmo. 




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Cine Dica: Corpo Elétrico estreia no CineBancários

Essa semana tem estreia aqui na nossa sala! Corpo Elétrico, dirigido por Marcelo Caetano, entra em cartaz no CineBancários dia 17 de agosto, nas sessões das 15h e 19h. O filme acompanha Elias, um jovem que tenta equilibrar seu cotidiano entre o trabalho em uma fábrica de vestuários e encontros casuais com outros homens. Em cada cama que Elias se deita um universo se abre a partir das narrativas contadas pelos personagens. São corpos enlaçados que se acariciam, vozes que falam baixo e suavemente, amantes que relatam encontros, aventuras sexuais, sonhos. “Meu desejo era falar de formas de amar mais livres e generosas, distante do amor romântico e seus conflitos já tão manjados”, diz o diretor. 
Elias ama de forma leve e solar. Ele tem 23 anos é gay e nordestino. Usa cada encontro para moldar um pouco sua personalidade se tornando uma espécie de prisma humano, capturando tudo que pode de seus parceiros. Ele transita entre o masculino e o feminino, pode ser o trabalhador empenhado, mas também um anarquista debochado. Dessa forma, Corpo Elétrico questiona também os lugares socialmente estabelecidos para gays, negros, mestiços, migrantes, operários. O longa foi exibido em grandes festivais internacionais como o Rotterdam Film Festival na Holanda e o Festival de Guadalajara no México onde recebeu o Prêmio Maguey
Nosso cinema funciona de terça a domingo e os ingressos podem ser adquiridos no local ou no site ingressos.com a R$10,00. Estudantes, idosos, pessoas com deficiência, bancários sindicalizados e jornalistas sindicalizados pagam R$5,00. Aceitamos os cartões Banricompras, Visa e Mastercard.
 
SINOPSE 
O verão está chegando e Elias tem sonhado muito com o mar. Na fábrica em que trabalha, as responsabilidades aumentam à medida em que o fim de ano se aproxima. Depois de uma noite fazendo hora extra, Elias e os operários decidem sair e tomar uma cerveja. É quando novas possibilidades de encontros surgem no horizonte de Elias.
SOBRE O DIRETOR
Marcelo Caetano nasceu em Belo Horizonte em 1982. Ele dirigiu os curtas “Bailão” (2009), “Na sua companhia” (2011), “Verona” (2013) e “Blasfêmea” (2017) co-dirigido com Linn da Quebrada, exibidos em importantes festivais como Rotterdam, Clermont-Ferrand, Indie Lisboa, Huesca, Montreal; vencedores do prêmio de melhor curta nos Festivais de Belo Horizonte, Mix Brasil, Janela de Cinema de Recife, Libercine (Argentina) entre outros. Corpo Elétrico é seu primeiro longa- metragem. Foi co-roteirista e assistente de direção de “Mãe Só Há Uma” (2016/Anna Muylaert, prêmio Männer no Festival de Berlim); assistente de direção e ator de “Boi Neon” (2015/Gabriel Mascaro, prêmio do júri na mostra Orizzonti do Festival de Veneza), produtor de elenco de “Aquarius” (2016/Kleber Mendonça Filho, seleção oficial de Cannes), diretor assistente de Tatuagem” de Hilton Lacerda. Seu próximo longa, “Baby” foi contemplado pelo Hubert Bals Fund de desenvolvimento de roteiro.
PALAVRAS DO DIRETOR
Corpo Elétrico é um romance de formação. Elias chega na fase adulta com muita dificuldade em balancear o mundo dos prazeres e o mundo do trabalho. Na verdade, ele apresenta resistência a viver determinados conflitos por não acreditar no valor que o sucesso profissional e a felicidade conjugal tem em nossa sociedade. É preciso amadurecer em uma outra chave. Buscar uma virada afetiva. Neste sentido, amo filmar os encontros. E os amo quanto mais improváveis eles são. Talvez essa seja a faceta política mais proeminente do filme, resistir a intolerância construindo elos entre pessoas socialmente distantes. Não os julgar. Nunca os julgar.
O filme tem influência do poema “Eu canto o Corpo Elétrico” de Walt Whitman, em que o autor americano celebra a beleza dos corpos, independente da idade, gênero, cor e forma. A escolha da palavra e a força da narração são estruturais no meu processo de falar desses corpos, desse grupo de pessoas. Elias é meu porta-voz: como a Sherazade de Mil e uma Noites, ele narra suas aventuras como se quisesse, pela sedução do relato, adiar o fim de sua juventude.
FICHA TÉCNICA
Brasil / Drama / 2016 / 94 min

Direção: Marcelo Caetano
Produção: Beto Tibiriçá, Marcelo Caetano
Produtor associado: Ivan Melo
Produtoras: Plateau Produções, Desbun Filmes
Produtora Associada: África Filmes
Roteiro: Marcelo Caetano, Gabriel Domingues, Hilton Lacerda
Fotografia: Andrea Capella
Edição: Frederico Benevides
Direção de Arte: Maíra Mesquita
Figurino: Flora Rebollo
Desenho de Som: Lucas Coelho, Danilo Carvalho
Mixagem: Ruben Valdez
Música: Marcelo Caetano, Ricardo Vincenzo
Elenco: Kelner Macêdo, Lucas Andrade, Welket Bungué, Ronaldo Serruya, Ana
Flavia Cavalcanti, Linn da Quebrada, Márcia Pantera, Henrique Zanoni, Nash Laila,
Georgina Castro, Evandro Cavalcante, Emerson Ferreira, Ernani Sanchez
Distribuição: Vitrine Filmes

GRADE DE HORÁRIOS (Não abrimos nas segundas-feiras)
17 de agosto (quinta-feira)
15h – Corpo Elétrico, de Marcelo Caetano
17h – O Filme da Minha Vida, de Selton Mello
19h – Corpo Elétrico, de Marcelo Caetano
18 de agosto (sexta-feira)
15h – Corpo Elétrico, de Marcelo Caetano
17h – O Filme da Minha Vida, de Selton Mello
19h – Corpo Elétrico, de Marcelo Caetano
19 de agosto (sábado)
15h – Corpo Elétrico, de Marcelo Caetano
17h – O Filme da Minha Vida, de Selton Mello
19h – Corpo Elétrico, de Marcelo Caetano
20 de agosto (domingo)
15h – Corpo Elétrico, de Marcelo Caetano
17h – O Filme da Minha Vida, de Selton Mello
19h – Corpo Elétrico, de Marcelo Caetano
22 de agosto (terça-feira)
15h – Corpo Elétrico, de Marcelo Caetano
17h – O Filme da Minha Vida, de Selton Mello
19h – Corpo Elétrico, de Marcelo Caetano
23 de agosto (quarta-feira)
15h – Corpo Elétrico, de Marcelo Caetano
17h – O Filme da Minha Vida, de Selton Mello
19h – Corpo Elétrico, de Marcelo Caetano

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Cine Dica: Em Cartaz: O Estranho que Nós Amamos



Sinopse: Durante a Guerra Civil Americana, o soldado ferido John McBurney (Colin Farrell) é encontrado pelas mulheres de um internato feminino. A presença de John afeta a rotina delas, que estão enclausuradas há anos no lugar. Algumas temem que sejam punidas por terem o abrigado e outras se apaixonam pelo oficial.
Os melhores filmes da diretora Sofia Coppola são aqueles dos quais encontramos os personagens presos em suas vidas e tendo os seus desejos reprimidos. Em Virgens Suicidas e Maria Antonieta, por exemplo, as protagonistas se veem presas a regras de etiqueta e pela lei de Deus enquanto Encontros e Desencontros presenciamos o vazio do mundo contemporâneo tomar o dia a dia de uma sociedade cada vez mais desconectada de sentimentos humanos. Em O Estranho que Nós Amamos novamente esses ingredientes é colocados a mesa, sendo até mesmo fiel ao clássico escrito por Thomas Cullinan, mas correspondendo com o papel do homem e da mulher de hoje.
O filme se passa durante a guerra civil americana, mais precisamente em um internato de mulheres onde é comandada pela professora Martha Farnsworth (Nicole Kidman). Certo dia, elas socorrem um cabo da união (Colin Farrell), que se encontrava gravemente ferido na floresta. Durante a presença do estranho no local, cada uma das mulheres tem opiniões e desejos diferentes por ele e desencadeando eventos imprevisíveis.
Embora seja um drama,  Coppola cria um cenário do qual poderia ser facilmente usado num filme de terror psicológico. Com um teor sombrio, o internato mais parece um local mal assombrado, pouco iluminado, como se as pessoas que vivessem por lá fossem almas penadas e esperando por uma visita que nunca chega. Com o surgimento do cabo essa situação muda gradualmente, como se as mulheres daquele local tivessem vivido num limbo cheio de regras, mas que são gradualmente quebrados de acordo com os desejos e opiniões distintas de cada uma delas.
De forma sutil, percebemos as intenções do cabo, cujo seu desejo é continuar no local para continuar vivo, mas ao mesmo tempo, não escondendo o desejo que sente por algumas das mulheres do local. Uma vez percebendo o desejo de algumas delas, ele começa a manipulá-las sutilmente, para sim conseguir da melhor forma se sair melhor dessa. Colin Farrell se sai bem ao criar um personagem que não esbanja o seu lado sexual de forma acentuada, mas com um teor galanteador suave, porém, eficaz no que deseja.
Contudo, estamos falando de um cenário formado por mulheres, das quais se veem numa pequena disputa pela atenção do cabo, mas não significa que elas se vendem por completo. Martha Farnsworth (Kidman), por exemplo, mantém a sua autoridade no local, mesmo quando seus desejos reprimidos tendem a falar mais alto. E se a personagem Alicia (Elle Fanning, de Malévola) não teme ao colocar para fora o que sente pelo cabo, por outro lado, Kirsten Dunst surpreende ao criar uma personagem com um posicionamento ambíguo, não escondendo em querer alcançar os seus desejos, mas tendo certa consciência sobre o que está se metendo.
O ato final reserva momentos em que ambição, sonhos e desejos se colidem e se enveredando para situações imprevisíveis. Se no filme Virgens Suicidas, por exemplo, as jovens cometem um ato insano contra elas próprias, aqui não há espaço para isso, mas sim o desejo pela sobrevivência. Não que a Sofia Coppola esteja levantando a bandeira do feminismo, mas nos dizendo que a união entre as mulheres é o que fala mais alto perante os obstáculos. 
Polêmicas a parte, O Estranho que Nós Amamos é um pequeno estudo sobre o comportamento humano dividido entre a razão e desejos reprimidos.  


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Cine Dica: Traversée Clandestine

JORNALISTA FRANCÊS APRESENTA DOCUMENTÁRIO SOBRE IMIGRAÇÃO NA CINEMATECA CAPITÓLIO PETROBRAS

Na quinta-feira, 17 de agosto, às 20h, o jornalista francês Grégoire Deniau, correspondente de guerra e vencedor do Prêmio Albert Londres, participa da 2ª edição do Débats d’idées. O evento acontece na Cinemateca Capitólio Petrobras. Promovido pela Aliança Francesa de Porto Alegre, o Débat d’idées consiste em encontros com pensadores, jornalistas e intelectuais para debater questões como fronteira, geopolítica, imigração e meio ambiente, entre outros temas contemporâneos. A entrada é franca.
Nesta segunda edição, Grégoire Deniau apresenta seu documentário Traversée Clandestine (2005, 45 minutos), que mostra as condições de vida de africanos que tentam chegar clandestinamente à Europa em barcos improvisados. A sessão é seguida de um debate com mediação do diretor da Audiplo, colaborador do Programa de Pós-Graduação em Estudos Estratégicos Internacionais da UFRGS (2015-2020) e professor da ESPM-Sul, Fabiano Mielniczuk. O evento terá tradução consecutiva.
Repórter independente e vencedor do Prêmio Albert-Londres em 2005 por esse documentário, Grégoire Deniau é também autor, junto com Cyril Payen, de uma reportagem feita em 2005, sobre o povo Hmong, vítima de um genocído no Laos.
Esta é a segunda edição do evento Débats d’idées, realizado pela Aliança Francesa de Porto Alegre e pelo Ministério da Cultura (MinC) por meio da Lei de Incentivo à Cultura (Rouanet), com patrocínio da Timac Agro e apoio da Cinemateca Capitólio Petrobras.
 
GRADE DE HORÁRIOS
17 a 23 de agosto de 2017

17 de agosto (quinta)
15h – O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki
16h45 – Rifle
18h30 - Os Campos Voltarão
20h - Débats d’idées - Grégoire Deniau

18 de agosto (sexta)
15h – O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki
16h45 – Rifle
18h30 - Os Campos Voltarão
20h - O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki

19 de agosto (sábado)
15h – O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki
16h45 – Rifle
18h30 - Os Campos Voltarão
20h - O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki

20 de agosto (domingo)
15h – O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki
16h45 – Rifle
18h30 - Os Campos Voltarão
20h - O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki

22 de agosto (terça)
15h – O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki
16h45 – Rifle
18h30 - Os Campos Voltarão
20h - O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki

23 de agosto (quarta)
15h – O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki
16h45 – Rifle
18h30 - Os Campos Voltarão
20h - O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Cine Dica: Em Cartaz: Os Meninos que Enganavam Nazistas



Sinopse: Durante a Segunda Guerra Mundial, a França está ocupada pelos nazistas. Em meio ao medo, os irmãos judeus Joseph e Maurice se separam da família. Os dois têm de encontrar coragem para fugirem dos alemães, enquanto tentam reencontrar seus pais.

Se existe um tema do qual não é preciso criar personagens ou situações fictícias esse tema é a Segunda Guerra Mundial. Tantas situações, em momentos indescritíveis, aconteceram com tantas pessoas, que não há duvidas que nem todas ainda foram contadas. Algumas virão sempre à tona, seja em adaptações para o cinema ou contada em livros, mas outras permanecerão no limbo.
Porém, quando surge uma adaptação dessas histórias para o cinema, por exemplo, devemos voltar as nossas atenções a ela, pois mais uma trama conseguiu sair do limbo, mais uma dramática história, mais um exemplo para que seja lembrado e que certas atrocidades jamais aconteçam novamente. O filme dirigido por Christian Duguay (Hitler - A Ascensão do Mal, 2003) cumpre o seu dever ao retratar na tela mais uma visão de um dos momentos mais críticos da história. Curiosamente, o filme possui um teor leve, talvez porque a obra seja protagonizada por dois meninos, dos quais terão que amadurecer mais cedo perante o mundo do qual vivem.
Assistimos a realidade através de seus olhos e faz com que os horrores da guerra sejam ainda mais cruéis, pois fazem um contraste muito maior com a inocência ainda impregnada nesses dois jovens. O gradual amadurecimento dos dois irmãos impressiona, mesmo quando não temos certeza se algumas dessas passagens da trama são realmente verídicas, pois quando a gente menos espera, nós já estamos mais do que envolvidos emocionalmente e torcendo para que eles consigam chegar ao fim desse túnel. Como todo filme do qual contem nazista, os vilões são retratados da maneira habitual da qual a gente imagina.
Não apenas são imprevisíveis em suas ações hediondas, como passam também a ideia de que gostam com relação ao que fazem contra aqueles que eles oprimem. Os soldados que surgem na trama são amedrontadores, aparentam certo grau de loucura, ou até mesmo desejo em perseguir judeus. Se alguns momentos isso pode soar inverossímil, basta então hoje você ligar a TV, ou acessar a internet, para dar de encontro com pessoas intolerantes e cruéis em suas palavras.
Porém, é preciso levar em conta que houve pessoas que estavam somente cumprindo ordens, ou que achavam cegamente que aquilo era o certo. Devemos levar em conta também que, ao final do conflito, os vencedores não demonstraram piedade com os que perderam principalmente com relação aqueles que trabalharam em escritórios ou como o dono da livraria onde Joseph trabalhava e taxado como simpatizante. Mulheres tiveram seus cabelos raspados, foram estupradas e mais homens acabaram sendo mortos. 
Como se o horror justificasse o outro. A posição nobre de Joseph ao tentar intervir que machucassem mais o seu patrão é o que falta nos homens que decidem criar um conflito internacional inconsequente. Obras como essa vêm para fortalecer sobre o que aconteceu no passado e ecoar para que não se repita em nosso presente. Infelizmente, ainda é preciso de mais histórias vindas do passado para podermos usá-las de exemplo, para então conter a intolerância e a crueldade do homem de hoje. 

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